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Tuesday, September 26, 2006

Gatunas na cerveja

Olha... não foi porque comecei o segundo texto com bichos que estou a fim de uma zoofilia. Mas tudo fará sentido... BAH, que coisa profética do demo. Relaxem. Vou começar de novo. Era verão, um calor de lascar. E eu trabalhava em uma agência de turismo, mais precisamente de hotéis. Os hotéis conveniados faziam com os atendentes um lance chamado “fun tour”. Funcionava assim: colocavam os 30 neguinhos dentro de um ônibus e os mandavam para onde estava o hotel da vez.

Era divertidíssimo. Só que nessa época – mais ou menos 95 / 96, eu ainda bebia. E bebia bastante, principalmente cerveja. Em tempo: não me venham com essa de que “encontrei Jesus”. O mais perto disto que eu encontrei foi o blog do Marcão. E para aqueles que não acreditam que eu quase não beba mais, basta ir comigo pra qualquer lugar e observar a cidadã aqui tomar uma tequila. “Uminha”. Já fico bêbeda, que só, como diria Nelson Rodrigues. Ok, fugi do assunto, mas tenho como justificar ... vamos lá!

Todo bêbado tem aquele grupo de peçonhas com o qual se acaba em qualquer boteco. No meu caso, estava bem acompanhada para beber. Afinal, além das minhas adoradas amigas, todo mundo daquele lugar bebia horrores. Logo, fizemos uma vaquita para a compra de cervejas que seriam consumidas no ônibus. Cada um teria direito a cinco cervas. As quatro manguaças tomaram todas a caminho. E olha que a viagem desta vez era para Águas de São Pedro.

Chegamos ao hotel no fim da noite e ainda com vontade de beber. Porém o preço da cerveja era absurdo. Logo, tínhamos que dar um jeito. Subimos as coisas e descobrimos, nesse momento, que estávamos em um quarto conjugado. No quarto ao lado do nosso estavam dois meninos / amigos. E nós sabíamos que as criaturas não haviam acabado com a cota individual de cada um. Quando olhei pela janela do quarto percebi que havia uma espécie de teto da recepção, que dava para as janelas vizinhas. Naquela cidade, a qual somente o hotel estava aberto naquela hora, seria impossível achar um bar ou qualquer coisa que fosse às 23h30.

Os meninos do quarto ao lado desceram para o lobby. Foi aí que traçamos um plano. Eu pulei a janela, enquanto uma amiga ficava de olho na porta, entrei no quarto deles e roubei as cervejas da cota de cada um. Feio isso, né? Gente, foi horrível! No outro dia, logo cedo, ainda presenciamos a briga dos dois para saber quem havia tomado a cerveja do outro – hehehe.

Tenho outra mais engraçada dessa viagem pra contar. Mas depois eu volto. (Ui, final tipo conto-erótico-de-quinta-categoria – hehehehe – Aliás, também é o segundo post que falo do tal conto-erótico...).

Beijocas,

Bobie Salles.

Thursday, September 21, 2006

Sexo e mico

Não. Não o texto que eu vou escrever não trata de sexo com animais. Mas de verdadeiros micos que eu já passei em motéis. Sem contar a vez que eu esqueci o RG em um deles e quando voltei para pega-lo, estava o próprio documento pra todo mundo ver na recepção, os relatos beiram a “conto-semi-erótico-de-quinta”. Tinha um “caso fixo” com um “amigo”. Só que SEMPRE, tudo o que podia dar errado com o cidadão – menos o ato sexual que era ótimo -, dava. Aliás, DAVA é uma palavra e tanto para descrever o que acontecia – hehehehe (ok, ponto Lima para mim...).

Enfim, em uma dessas “aventuras”, estávamos em um completo fogo e ligamos a água da banheira. Porém, ficamos “conversando” um pouco no quarto e perdemos a noção de tempo. O resultado? O quarto inundou! Gente, foi horrível. Aliás, eu diria horripilante. Primeiro, porque todas as nossas roupas estavam no chão e ficaram encharcadas, juntamente com os sapatos. Depois, porque a água chegou a sair um pouco pelo corredor da porta de entrada.

E foi pior ainda o momento em que eu e o “amigo” percebemos o que tinha acontecido. Após a “conversa” toda na cama, eu resolvi descer. E escutei um SCHFLAP. Pisei em um lago – heheheehehe. Depois de muitas risadas e uma tentativa frustrada de secar as peças de roupa com o secador barato que estava no banheiro, voltamos a fazer o que estávamos fazendo. E que pelo menos DEU certo.

Outra vez, com esse mesmo moço, resolvemos brincar com algemas. A criatura queria me algemar na cama. Sexy, certo? NOT! Eu falei: "vamos os algemar... uma mâo sua e outra minha, ok?". Sim, fizemos isso, foi legal e tals... O resultado final? A chave não abria nem por um ramalhete de c*ralhos (parafraseando o Marcão). Depois de um grande desespero, a maldita resolveu funcionar. Até então, eu só pensava na cena patética de ter que chamar um chaveiro no quarto.

Beijocas,

Bobie Salles.

Wednesday, September 20, 2006

3D 1 X 0 Gabi

Domingão, 9 da manhã, friozinho...”Gabrielle, vou trabalhar” - assim que o Luiz Felipe me acorda. Gente, foi horrível. É, tô exagerando, ele foi bem mais carinhoso do que isso, mas mulheres gostam de um drama e eu não sou diferente.

Desde que o 3D Max entrou na vida do Luiz Felipe tenho que disputar espaço com qualquer coisa em três dimensões. Desenhos, plantas, filmes e por aí vai. Até “Final Fantasy” – 1, 2, 3, mil, sabe Deus que número - tive que ver. “Olha essa luz! E essa textura, que irada!”. São esses os comentários que escuto e sempre respondo com um sorrisinho, pois não entendo nada desse assunto. NADA. Como sou uma namorada legal, compartilho desses momentos tão importantes para ele.

Porém, de uns tempos para cá, o Luiz Felipe tem se dedicado demais ao trabalho. É dia e noite. Sim, eu fico muito orgulhosa, antes que me perguntem. É lindo ele trabalhar assim. Mas todo esse empenho faz minha cabeça funcionar além do necessário.

Ontem, decidi conversar com alguém sobre o assunto. Olhei para o lado – Marco Aurélio.

- Marco.
- Hã. (com cara de “lá vem”)
- O Luiz Felipe ta trabalhando demais.
- Ah. (dessa vez, com cara de “você não tem mais o que fazer?”)
- Das duas uma: ou arrumou outra mulher, ou tá querendo ganhar dinheiro para casar.
- As duas coisas
- Credo!
- Ele arrumou outra mulher e vai casar com ela. Quem sabe assim você pára de falar asneira.


Gente, foi horrível! Precisava falar assim? Ah, eu tô de TPM, sensível, carente, puta merda!

A verdade é que o Marco é um ranzinza. Mas quase sempre tem razão. Vou parar de falar besteiras! Hehehe... quem acredita?

Monday, September 18, 2006

Descrição é tudo

É impressionante a minha capacidade de dar foras. Nasci com esse poder incrível. Minha mãe cansou de passar vergonha por minha causa. Ih, coitada! Se você sentar meia horinha com a Dona Marina, de certo ela vai falar da vez que cantei "parabéns" em um momento nada apropriado – num velório. Vi as velinhas, pensei que era festa, ué! Não é pecado algum para uma criança de três anos.

Todo esse blá, blá, blá é para só para vocês terem uma idéia da minha pessoa. E que não é de propósito que digo ou faço certas coisas.

Enfim... semana passada cobri um congresso, assisti dezenas de palestras, entrevistei quatrocentas mil pessoas e, obviamente, precisava me lembrar quem era quem para depois reconhecê-las nas fotos. Sentei na primeira fila da platéia e sem dó descrevi cada um que falava naquele palco. Mais ou menos assim:

Careca, sobrancelha gigante, bochechudo, pinta grande com pêlo do lado direito do rosto. Terno azul e gravata vermelha (todos estavam vestidos da mesma forma, de nada servia citar esse último dado...)

Até aí, tudo bem. Sempre fiz isso e quase sempre dá certo. Mas tô pensando em abandonar essa tática. Ou então tomar mais cuidado e prestar atenção nas pessoas que sentam ao meu lado nos congressos. Sim, sim... fui pega! É.... gente, foi horrível!

Tempos depois, sentei com um executivo de alguma empresa importante – depois de horas tentando falar com o cara – e pergunto o que ele está achando do evento:

- Depende.
- Depende do quê?
- Do que você vai escrever aí no seu caderninho.
- Hã? (fazendo cara de desentendida)
- Eu sentei do seu lado na última palestra.
- Ah, legal. (com um ponto de interrogação na testa)
- Eu vi suas anotações. Gordinho, baixinho, .... (a vergonha me causou surdez nesse momento, não sei mais o que ele disse)


Desnecessário continuar, né? Logo que acabei a entrevista me senti uma imbecil. Cinco minutos depois, aquela sensação já havia passado e fui dominada pela raiva. Que homem mais curioso! Onde já se viu ficar olhando o caderno alheio? Parece coisa de escola! Digo que fui cruel com ele. Só eu e meu caderno sabemos como. Bem feito! Aposto que, pelo menos por alguns segundos, ele se perguntou como eu o descrevi.... Segredo.

Friday, September 15, 2006

Sofás devem me odiar

Acidentes acontecem. Mas ninguém merece quebrar o mesmo dedinho do pé duas vezes.

Imaginem a cena de um ser humano estabanado, que ao levantar do sofá, com pressa, encontra no meio do caminho o pé do tal objeto e com a mesma vontade e garra de um jogador de futebol em momento de cobrança de falta, chuta. No meu caso, foi o pé alheio e não a bola. Não é possível. Os sofás devem me odiar.

Tudo aconteceu numa segunda-feira, mais de nove horas da noite. Já tinha visto a cena – a mesma – seis meses atrás. Só que dessa vez a fratura foi mais grave. Gente foi horrível!
Mas eu mal sabia o que me esperava no dia seguinte, na clínica.

Consegui uma consulta de última hora com o ortopedista que atende na clínica de meu convênio, ao invés de procurar um atendimento de emergência em algum hospital.
A consulta estava marcada para 9h30. Saí de lá ao meio-dia sem ser atendida pelo ortopedista. Explico. O médico estava passando mal!

Era um entra e sai de enfermeiros e da médica clínico-geral na sala do ortopedista. Eu e todos os outros pacientes agendados para aquela manhã só observávamos perplexos. Fomos avisados para remarcar a consulta e logo depois ele foi levado para outro local, reservado a pacientes que precisam de medicação. Pois é, médico também sofre, também tem seu dia de paciente. Lembrei na hora do bordão “gente foi horrível” ... Por que será?

Eu ainda estava com o dedo quebrado. O jeito foi ser atendida pela médica clínico-geral. Ela constatou pela radiografia que realmente tinha fraturado o dedo. “Está vendo a fissura?”, disse apontando na chapa.

Pé imobilizado e com medicamento receitado em mãos, fui aconselhada a remarcar a consulta com o ortopedista. Só ele indicaria por quanto tempo eu andaria “ponto-e-vírgula”.
Três dias depois, fui “ponto-e-vírgula” para a consulta. Finalmente com o especialista.


PS. Detalhe: seis meses atrás, quando o sofá me atacou e quebrou meu dedo pela primeira vez, tinha que fazer a cobertura de um evento de dois dias realizado pela empresa para a qual trabalho. Até isso se repetiu agora. Mais um evento de dois dias para cobrir.

* Contribuição da nossa amiga Tatiana Alcalde

Wednesday, September 13, 2006

Outra

Existem pérolas de suportes técnicos, muitas podem ser encontradas em diversos sites espalhados pela web. Mas esta aconteceu comigo, hoje (13/09/06). Meu site saiu do ar ontem e já havia ligado para o suporte pedindo uma solução. Liguei outras vezes e nada. Persistindo no erro, tornei a ligar esta manhã. O diálogo da última ligação vem a seguir. Após a total identificação do endereço, o jovem atendente fala:

- Senhor, realmente o seu domínio encontra-se fora do ar.

Pensei (Nossa! Você descobriu isso sozinho? E tão rápido??) Mas resolvi contemporizar.

- E em quanto tempo o amigo acha que terei o site funcionando? Preciso dele para trabalhar, não estou conseguindo acessar os meus e-mails.

- Vou abrir um chamado para o seu pedido, senhor, e no máximo em 24 horas ele estará solucionado.

Eu já tinha feito coleção de chamados... Parece que é dito só para nos irritar mais.

- Meu amigo, já passaram 24 horas. A minha primeira ligação foi ontem. Não adianta você abrir um quarto chamado. Daqui a pouco, eu vou ter que ligar para fazer o quinto. Eu quero uma solução.

- Nós estamos tentando, senhor.

- Eu preciso dos meus e-mails para trabalhar! Quem vai me ressarcir se eu perder um cliente? Entende a gravidade da situação?

- Entendo, senhor.

- Então, qual solução você me sugere?

- Sugiro que o senhor envie um e-mail para ouvidoria@qualquercoisa.com.br e faça uma reclamação formal sobre o prejuízo.

- GRANDE IDÉIA! GOSTARIA MUITO! MAS COMO VOU ENVIAR O E-MAIL SE NÃO CONSIGO ACESSÁ-LO??????

Um silêncio sepulcral se estabeleceu. Após sete longos segundos, o atendente respirou fundo (no meu ouvido, por sinal) e disse com voz trêmula:

- Então, nesse caso, o senhor deve contatar o nosso diretor pelo telefone 555-5555, correto?

* Mais uma contribuição do Andrei Fonseca.

Bauru, entendeu, tchê???

Ao mesmo tempo que é um inferno (trânsito, violência, poluição) sem fim, São Paulo é um alento para aqueles que moram em outras capitais e, por qualquer motivo que seja, passam alguns dias tentando conhecer a maior megalópole da América do Sul se divertindo com a diversidade de produtos, serviços e atrações. Na capital paulista, é possível encontrar tudo que se procura, mesmo que nem sempre esteja disponível.

Dentro dessa de procurar raridades, fui visitar a Galeria do Rock, responsável por grande desfalque na minha conta bancária e pelo incremento na minha coleção de Ramones, Nico, Johnny Cash, The Animals, Iggy Pop, Lou Reed, New York Dolls, Johnny Tunders e mais alguns antigos. Após a aquisição de alguns exemplares e preenchimento de parte da minha coleção de cds, decidi preencher o meu estômago. Lembrei de um conselho de um amigo paulista: “Meu, aqui onde tem comida boa, a bebida é ruim, e vice-versa”. Caminhando pelo centro, encontrei uma lanchonete que tinha o aspecto das encontradas aqui em Porto Alegre. Luminosa, com bom movimento e preços acessíveis. Li a palavra mágica: Bauru! Perfeito! Entrei e pedi uma cerveja (em lata, que eu me lembre) e um Bauru sem salada, tentando disfarçar o sotaque gaúcho (até porque acho o ‘gauchês’ sonoramente horroroso). A partir daí, teve início o seguinte diálogo:

- Boa tarde! Um Bauru sem salada e sem maionese e uma cerveja, por favor.
- Boa tarde, senhor! Mas não vem maionese no Bauru.
- Ótimo, - comemorei.

Aguardei por alguns minutos, já degustando a cerveja e folhando os encartes dos cds quando chegou um prato a minha frente, no balcão. Surpreso com a apresentação de um sanduíche prensado, protestei polidamente:

- Amigo, acredito que houve um engano – falei timidamente, apontando para um pão francês (ou cacetinho, para os gaúchos) recheado com queijo e presunto. – Eu pedi um Bauru.
- Então? Sem salada, né? Fizemos pro senhor. – respondeu o garçom, convicto de sua posição.
- Não, isso não é um Bauru. Cadê o pão cervejinha e o bife?
- A cervejinha nós já servimos, senhor. No Bauru não vai bife.

Aí sim foi a gota d’agua.

- Mas como não vai bife no Bauru???? Desde quando???????
- Nunca foi e nunca vai ir. Bauru é pão francês, queijo, presunto e tomate. Prensado.
- Mas é a primeira vez que vejo algo assim. E é claro que em Bauru vai bife!!! Eu li na porta: “Bauru R$ 5,00”!!! Eu tenho vontade de comer Bauru! Pão cervejinha, queijo e carne bem passada, sem salada, por favor!!!!
- Ah, o senhor quer o americano??
- Não, quero Bauru! Sem salada!
- Então, isso aí que você falou é americano!
- Que americano, tchê (nesse momento, minha identidade foi revelada)? É Bauru! Não conhece o Bauru Trianon, famoso em Porto Alegre?? Deve ter um por aqui!
- Mas todo Bauru por aqui é assim... sem bife e com pão francês!
- Não fode! isso não existe!! E não é Bauru!!! Não é!!
- Tá, então o senhor não quer o bauru?
- Esse não! Quero o de verdade!
- Esse seu aí não tem aqui!
- Quanto é a cerveja?
- R$ 2,00.
- Obrigado!

Deixei o local indignado, expondo toda arrogância gaudéria (a qual não possuo, mas naquele momento, usei-a indevidamente) e convicto de que havia feito um bem para humanidade ao defender a tradição do Bauru que comemos aqui no Sul. “Honrei o criador do Bauru, seja quem for!”, pensei. E fui para o flat, após uma crise diplomática causada por uma convicção estúpida de quem as culturas deveriam ser semelhantes.

* Contribuição do amigo Andrei Fonseca, direto de Porto Alegre heheh. Para o povo entender o motivo de tanta revolta já deixo o link do Bauru Trianon da terrinha. É muuuito bom e completamente diferente.

Monday, September 11, 2006

Está com “pobremas” ou com “poblemas”?

Seria cômico... Bem, o resto da frase vocês já conhecem. Mas vamos mudar para “Seria cômico, MAS GENTE, FOI HORRÌVEL”. Ou deveria colocar “... se não fosse horrível”... Chega! Quanta embromação. O que já deixa o post com o ar de horrível por si.

Uma amiga ouviu uma história de alguém (cheira a lenda urbana, não é? Mas foi assim que chegou aos meus ouvidos...). No tal relato, duas pessoas menos instruídas conversavam. Vou chamá-las de Pessoa 1; Pessoa 2:

Pessoa 1: “O certo é pobrema ou poblema?”
Pessoa 2: “Os dois tão certos. Você não sabe? Quando você tem uma dor de cabeça, no estômago, tem um poblema, porque é INTERNO. Agora, quando está sem grana, por exemplo, tem um pobrema, pois é FORA.”

Eu, estudante de letras (momento hype – hehehehehe), fiquei abismada. Primeiramente, com a capacidade de interpretação da diferenciação das palavras. Tratava-se de pessoas humildes, porra! Porque não conseguiram estudar? Cadê a porra do governo? Logo em seguida pensei cá com meus botões: “porque a fulana que escutou a tal história não perdeu alguns momentos para explicar a realidade para as pessoas?”.

Bem, eu não estava lá... nem sei se isso é verdade. Sei que ouvi e resolvi colocar aqui.

Ah, contei a história para uma professora doutora da faculdade a qual estudo. E ela complementou com uma nova versão. Certa vez, (de novo a lenda urbana...), ouviu a diferenciação de “pobrema” e “poblema”, como sendo o “pobrema” de matemática e o poblema para o resto das coisas.

Enfim, tudo na mesma.

É isso.

Beijocas,

Bobie Salles.

Wednesday, September 06, 2006

Login e cadastros...

Estou até emocionada. Afinal, o primeiro post, sempre será o primeiro post. E já vou começar no Gente, foi horrível, com a história do próprio cadastro no blog.

Foi assim: recebi o convite da Paulinha para escrever aqui, logo após uma conversa com a Gabi. Fiz o cadastro, preenchi todos aqueles dados. Como a Tecnologia da Informação foi criada pelo próprio Murphy (sim, aquele da lei...), o “login” escolhido não funcionava.

Desesperadamente comecei a usar todas as formas possíveis entre o meu nome (inclusive completo...) e meu apelido. De repente, um deles entrou. Logo pensei: “ah, batutaaaaaaaaa!!! Vou escrever agora uma historinha.” Mas para o meu desgosto eu não sabia qual era o login, após digitar cerca de 20 combinações.

Gente, foi horrível! Perdi o maior tempo queimando a cachola para lembrar a budega do login. Tive de apelar para a Paulinha, que me salvou por meio de um scrap.

Vou deixar esse como primeiro post e depois eu volto aqui para contar aquela história que eu queria no começo.
Beijocas,

Bobie Salles.

Belo, taxistas e urubus

Ando de táxi quase todos os dias. Isto não deveria ser uma reclamação, já que trabalhei em outras publicações que as pautas eram feitas de ônibus mesmo. Melhor ainda, você bancava o transporte e, com a graça divina, eles te reembolsavam um dia.

No entanto, passa a ser uma reclamação assim que você anda de táxi quase todos os dias com a Táxi Dourado. Para começar, é horrível, mas é a realidade eu comemorar sempre quando, de fato, existe um táxi disponível. Não foi apenas uma vez que eu agendei no dia anterior para às 9h da manhã e eles me ligam.

-Senhor Bruno, não temos carros disponíveis no momento. O senhor pode aguardar?

-Mas quanto tempo?

-Ah, não sabemos. Entraremos em contato assim que possível.


Mas um fato curioso, para não dizer triste, me ocorreu na última semana. Pedi um táxi depois de um evento que cobri. A previsão era de 10 minutos e passado o tempo eu desci. Esperei, esperei. Meia hora depois eu liguei para saber o que tinha ocorrido...

-Já te retornamos...

Mais 10 minutos e nada e quando eu já tinha xingado a quinta geração de todos os taxistas do Brasil e todos os Cabs da Inglaterra, aquele Santanão virou a esquina em duas rodas. Entro no veículo.

-Carái! Um filho da puta vestido de roupinha do Carrefour entrou e disse que se chamava Bruno. Eu fui levar ele até a Raposo Tavares.

-Sem problemas...

-Agora, aqueles viado vão me dá um pescoço de três horas sem rádio.

-(se fudeu!!!) Poxa, que chato!

-Vamo pra onde?

-Moema.

-Cacete. E ainda me dão corridinha de 10 real. Fios da puta.


Como sempre, liguei meu ipod e comecei a apreciar Bebel Gilberto quando...

-MEEEEELLLL, sua boca tem um MEEEEEEEEEL. Esse som é do carái (aquele papo de pessoas interativas)

-Legal. (erguendo o ipod, na tentativa do motorista observar que já estava ouvindo uma música)

-É um cedê que eles fizeram pra tirar o Belo da cadeia... Do carái.

-(um sorrisinho sem mostrar os dentes do tipo, que bosta!)

-Vocês, burguesinho, gosta de um pagode, né?

-Nã...


E aumentou o volume que eu não escutava nem mais as buzinadas na rua. Pensei então em dormir. Fechei os olhos, mas aquelas músicas estavam fodendo a minh'alma, com o perdão da expressão. Até que em mais um lapso de interatividade completamente desnecessária...

-Cê curte a avenida Indianópolis?

-Ahn?

-No sábado eu fui levar uns burguesinho pruma festa no Sírio. Daí eles tinham umas grana sobrando e eu fui leva eles pra conhecer as piranha. Rapá, tu não sabe. Aquelas fias da puta das piranha são piranho. Com bingulim e tudo.

-Ah vá...

-Verdade. Imagine. A mulecada ficou doida. Queria pagar pro piranhão fazer uma chup…

-Vira a direita!!!!


O destino, a editora, estava ali. Mais uma vez a salvo dessa horda de taxistas que não gostam de mim. Antes de sair, porém, ele olha para trás com um sorriso no rosto..

-Três horas de pescoção... Vou dar um pulo lá pra ver se ainda tem um daqueles piranhão.

Gente, foi horrível!

* O texto foi enviado pelo nosso querido amigo, Bruno Ferrari

Friday, September 01, 2006

Pessoas interativas

Olá, olá, com licença.
Para começar, nada dessa pederastia de Gente, foi horrível! Sou macho, caralho. Mas que o mundo conspira constantemente para que tudo pareça mesmo horrível, ah, conspira!
Semana passada, por exemplo, fui pegar minha carteira de habilitação definitiva. Sim, tenho 31 anos de idade e um ano de habilitação. Por quê, vai encarar? Humpf. Então. Lá fui eu ao Poupatempo de Itaquera, preparado para pegar fila, passar em novecentos guichês diferentes, gastar com cópias desnecessárias, tudo o que já é de praxe no serviço público. Eu só havia me esquecido, porém, da maior de todas as ameaças que causam pavor na sociedade moderna: as terríveis...

PESSOAS INTERATIVAS


Essa é a pior de todas as pragas, o grande flagelo da humanidade, a sétima trombeta, o esterco das montarias dos Cavaleiros do Apocalipse. Pois, vejam, minha mãe me ensinou ainda em tenra idade a não falar com estranhos. Será que esses felasdaputa* não têm mãe?
Estava eu na fila para tirar cópias de vários documentos (cópias que, rá!, não seriam necessárias), quando um baixinho que estava à minha frente virou-se de lado, me olhou com o olho do rabo rabo do olho, e comentou:
— É tudo pra comer nosso dinheiro...
Trata-se de um velho truque das pessoas interativas, lançar um comentário qualquer destinado a ninguém em particular, na esperança de que algum incauto morda a isca. Eu, vacinado contra essa raça, permaneci em nobre silêncio. Não adiantou. Percebendo minha indiferença, o nanico partiu para a abordagem direta:
— Escuta... Você sabe como eu chego no Detran?
— Metrô. Estação Sé. Ônibus até o Ibirapuera.
O segredo é dar apenas informações objetivas. Nada de verbos, adjetivos ou outros cosméticos lingüísticos que estimulem a conversa. Adiantou? Nada!
— Cê não acredita, rapaz. Tenho que pagar o IPVA de 2005, porque roubaram meu carro e... [conversa mole filtrada pela audição seletiva]. É foda, né?
— É.
A secura não desanimou o verticalmente prejudicado:
— Se bem que tem um Detran aqui, né?
— Então faz aqui.
— Mas aqui eu pago 35 reais. Lá no Ibirapuera eu não pago nada.
— Então faz lá.
— É, só que tem a condução.
ENTÃO VÁ PRA PUTA QUE O PARIU! — eu não disse, porque chegou a vez dele ser atendido. Foi até o balcão, tirou cópia de seus documentos e saiu acenando para mim, com ar de camaradagem. Eu, nobre como sempre, olhei para o outro lado.

* Professores de português dizem que a palavra "qualquer" é a única do idioma que tem o plural no meio ("quaisquer"). Sabem nada! O termo castiço "feladaputa", cujo plural é "felasdaputa", segue a mesma regra.

A quem Deus recorreria?

Meus amigos têm contado aqui várias barbáries que cometem no cotidiano, assim sem querer, sem mais nem menos. Eu vou contar uma minha. Pronto, decidi.

Amo uma escola de samba, não troco os animados ensaios de carnaval por nada nesse mundo – e nem aqueles negões sarados, ma-ra-vi-lho-sos. Este ano, antes do carnaval, peregrinei por várias escolas para conhecer o samba-enredo, tomar uma cerveja, me diverti com os amigos e é claro, cair no samba.

Estava eu na Rosas de Ouro, linda como sempre, e com um samba-enredo animadíssimo que falava sobre a igualdade e o problema do preconceito. Logo as primeiras gotas de suor caíram do meu rosto eu achava que já tinha decorado o samba-enredo da escola. Depois da terceira cerveja, já me sinto a mulata do morro e fui pro meio da galera sambar. O samba-enredo era lindo, lindo mesmo.

Cantora que sou, berrava animadamente a letra: “ORAI por nós oh meu Senhor...e a Rosas de Ouro vai à luta orgulhosa e VIVA o preconceito racial”. Cantei, berrei, berreeeei, até que recebi o folhetinho com a letra do samba-enredo: “OLHAI por nós oh meu Senhor” (gente, como eu pude achar que Deus iria ORAR por nós??? A quem Ele iria recorrer???). “e a Rosas de ouro vai a luta orgulhosa CONTRA o preconceito racial” (é claro, CONTRA o preconceito racial!!!).

Definitivamente, falta um pino na minha cabeça. Pior, mesmo depois de receber a letra eu já tinha decorado a letra errada, e o tico e o teco não assimilavam a nova letra. Gente, foi horrível!!!!

Me lembrei dessa história esse sábado, quando em pleno salão do Palmeiras, no meio da Mancha Verde, eu cantava animadamente entre os porcos. Mesmo sendo corintiana entrei na festa, me diverti, cantei os sambas enredos, e ainda dei aqueles gritos de guerras, típicos de torcida organizada. Uma mistura de xingamentos com declarações de amor. Certa hora todos cantavam: “Doutor eu não me engano, FDP é corintiano!”, e eu berrava animada em campo inimigo: meu coração é corintiano. Se eu ainda estivesse fazendo de propósito, mas não, puro impulso.