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Friday, January 09, 2009

Poltrona 44

Gente, o povo se empolgou!
Amei!
O post abaixo é da Érika Ramos, colega da redação que tem sempre histórias horríveis para contar.
É válido descreve-la antes de degustarem a leitura, vocês vão entender.

Erramos, como é conhecida na redação, é uma pessoa maravilhosa e exímia profissional, mas é dotada de um humor peculiar. Para se ter uma idéia, se perguntar para ela de manhã, “e ai Erramos, tudo bem com você hoje”? Ela responde. “Desde que sai de casa interagi apenas com uma pessoa no Metrô e ela não me irritou, espero que você não seja a primeira”.
Pois é a moça é assim fina mesmo hehehehe. Mas no fundo acaba sendo engraçada.
Agora imaginem um ser ranzinza assim passando pela situação abaixo.
Beijo-fui

Poltrona 44

Essa é só a segunda parte da história da minha volta para casa após as comemorações de Ano Novo no estado de Santa Catarina. O fato é que cheguei à Rodoviária de Piçarras no meio do dia 04/01 em busca de uma passagem de volta para São Paulo. A moça do guichê me informou que no horário das 21h05 da Catarinense havia uma desistência. Me interessei pelo horário, uma vez que teria que passar 9 horas no ônibus, e o horário noturno, pensei eu, seria mais fácil de tolerar. “Mas é a poltrona 44” foi falando a moça quando viu meu interesse. Imaginei que seria a última poltrona do fundão e que tirando o barulho do motor e o banheiro estava valendo. Meus amigos bem que tentaram me impedir de adquirir o bilhete, mas quando boto algo na cabeça nem God em pessoa consegue me demover da idéia. E eu queria, na verdade precisava, ficar um dia inteirinho em casa de pijama, antes de voltar a trabalhar.

Por isso, mesmo diante das caras desconfiadas dos meus amigos eu paguei a passagem e voltei à noite para o embarque. A minúscula rodoviária estava lotada de gente com malas, crianças, travesseiros e biscoitos de polvilho. Do lado esquerdo havia um grupo enorme de pessoas que falavam todas ao mesmo tempo, eram mais de 10 o que já me preocupou. Eu só pensava, tomara que metade deles more aqui e a outra metade não entre no meu ônibus. Para minha decepção foi só o Catarinense – Itajaí – São Paulo 21h05 estacionar que eles (todos!) foram se encaminhando para a porta. A pior coisa do mundo é pegar ônibus com gente que anda em bando, eu sei disso porque sou adepta à prática e as pessoas ficam conversando por cima da cabeça dos outros passageiros, falando alto e rindo etc e tal.

Esperei toda a “gangue” e demais passageiros se acomodarem na marinete e lá fui eu buzão adentro contando nos dedos quantas horas ainda faltavam para chegar em Sampa. Eis que visualizo a poltrona 44, não gente, não era a última poltrona, nem era na janela, isso era óbvio, a poltrona 44 meus caros, é aquela poltrona do corredor que situa-se exatamente antes da porta do banheiro. Ou seja, pior lugar do ônibus, depois do referido. Sim, porque para abrir a bendita porta do banheiro e conseguir aliviar suas necessidades fisiológicas numéricas o sujeito precisa se apoiar em algum lugar e adivinhem onde ele faz isso? Bingo.

Bom, nem preciso falar que antes dos embarques em Barra Velha e Joinville mais de 6 pessoas já haviam ido ao mictório, segurado na minha poltrona para puxar a discreta porta, alguns batendo a mão na minha cabeça -dependendo da abertura da curva ou do sacolejo do ônibus – para faze-lo, batido a porta do banheiro no meu ouvido e costas para fecha-la, dado aquela silenciosa descarga que dá para ouvir lá da poltrona 1, empurrado a porta para sair do banheiro, segurado de novo na minha cabeça, digo poltrona, e batido a porta para fecha-la. Se vocês me conhecem apenas superficialmente podem imaginar que eu estava a ponto de morder o braço do próximo infeliz que ousasse aparecer naquele corredor. Isso sem contar que o bando de conhecidos que entrou no ônibus tinha dois de seus integrantes sentados nas poltronas da minha esquerda. Logo o pessoal da frente estava vindo buscar salgadinhos, água, edredom com os meus vizinhos. E a cada parada de 20 minutos (graças a Deus foram apenas duas!) metade do ônibus descia e sempre ficava um para trás, o que dificultava a contagem do motorista que perdia pelo menos mais 5 minutos para reunir o rebanho e partir novamente.

Ah, iá me esquecendo de contar do meu outro vizinho, esse sentado do meu lado direito, coitado, impedido, como eu, de deitar o banco no limite máximo por causa da “parede” do banheiro. No começo achei que ele era traficante, ele falava o tempo inteiro no Nextel, e quando o ônibus passou em frente ao Shopping de Piçarras ele chamou um outro cara no rádio e ficou falando empolgado do movimento, das pessoas etc e tal. Depois falou com a namorada, com a irmã, sobre a possível vinda de um sobrinho com ele na segunda-feira, com o cara com quem ele não quis ir de carona, com outros caras.

Então quando o povo não estava para lá e para cá na porta do banheiro esse cara estava com a luz do amaldiçoado Nextel na minha cara. Mas depois de tentar dormir e me controlar para não perder a cabeça, literalmente, com os passageiros apertados (literalmente de novo!) acabei fazendo amizade com o suposto traficante, que descobri mais tarde era apenas um cara com uma lojinha de brinquedos no shopping indo buscar mercadoria na 25 de Março.
O moço falava mais que eu e a certa altura, (quando diminuiu o movimento no banheiro!) eu já estava arrependida de ter perdido o medo e ficado amiga dele. Então uma hora em que ele fez pausa para respirar entre uma frase e outra eu dei um suspiro e virei para o lado fingindo dormir. Acho que para se vingar da solidão repentina ele virou de bunda para mim e ficou dormindo, invadindo o meu banco. Fiquei puta por não poder fazer o mesmo, já que eu não queria derrubar ninguém no corredor e muito menos ser encoxada por ele.

Olha gente, foram horas de cão dentro daquele pão pullman gigante que em alguns momentos parecia despencar ladeira abaixo, e em outros ágil como um caminhão basculante ladeira acima. Desembarquei às 6h25 de uma segunda-feira tipicamente cinza e paulistana no Terminal Rodoviário Tietê jurando por Deus que faria muito freela em 2009 para custear as viagens longas aéreas e que de ônibus, o máximo que eu viajaria seria até Casa Branca.
Feliz 2009!!!
Por Érika Ramos

2 Comments:

Blogger Bobie Salles said...

Putz! Já vi que a "E Ramos" tem potencial para participar do espaço hahahaha
Bjs!!!

6:39 AM

 
Blogger - Elis - said...

Em 1995, eu fui de SP a Belém do Pará de ônibus e em Tocantins entraram porcos e aves no ônibus.
Ainda em Tocantins, o motorista esqueceu um passageiro (um gaúcho, vestido à caráter) e só soube disso quando chegou à outra cidade três horas depois. Tivemos de voltar para buscá-lo, pois só teria outro ônibus depois de dois dias – fato que atrasou a viagem em apenas NOVE horas.
E no meu retorno de Belém, também de ônibus, fui surpreendida pela audâcia de um passageiro que resolveu levar camarão seco de encomenda para outrém. No terceiro dia, o cheiro era insuportável.
Pense numa viagem...

8:56 PM

 

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