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Tuesday, February 06, 2007

Vacas calouras e uma lição do caçula

Estou prestes a completar 32 anos. Não sou nenhum jovenzinho, sei muito bem. Nem por isso, porém, vou aceitar desaforo. Pois vejam: semana passada estava eu feliz da vida encarando o trânsito da Radial Leste para chegar ao trabalho. Eis que paro num farol1 ali na Mooca e sou abordado por duas garotas de cara pintada. "Amazonas guerreiras!", pensei eu, antes de perceber que eram apenas duas calouras da São Judas. Faziam parte de um grupo grande de calouros, que estavam ali tentando arrecadar uns trocados para os veteranos. Uma delas se debruçou na minha janela, expondo uma boa fatia dos peitos. Eu, mais que depressa, olhei para o outro lado.
...
Tá, talvez não tãaaaaaao depressa.
...
Ok, ok! Sequei os peitos da garota, tá bom? É um impulso mais forte do que eu, não consigo evitar. Enfim, a filhadaputa mostrou as muxibinhas e abriu a matraca:
— Tio, ajuda a gente, compra um pacote de balas. Só dois reais, tio!
O tal "pacote" era um saquinho com duas ou três balas dentro. Fiz que não com a cabeça. A outra, que trazia nas mãos um chumaço de cabelos, não perdeu a oportunidade:
— Então compra cabelo, tio. Cê tá precisando!
Vacas. Putas. Ornitorrincas adolescentes com suas vozes esganiçadas. Eu queria descer do carro e espancar as duas. Mas me controlei e disse:
— Vocês estão fazendo o quê?
— É trote, tio! Os veteranos obrigaram a gente a...
— EU SEI que é trote. Estou perguntando que porra de CURSO vocês estão fazendo na faculdade.
— Ah... Rádio e TV, tio!
— Pois então, Rádio e TV. Vocês vão passar o resto da vida na merda, sem dinheiro nem pra comer. É melhor irem se acostumando a ficar sem dinheiro, né?
— ...
— Olha lá, o farol abriu. Com licença.
Parti satisfeito, mas não plenamente. Minha vontade mesmo era dizer: "Tio? Não sabia que meu irmão andava comendo tua mãe". Merda de civilidade.

Por falar no meu irmão, não é que o moleque me ensinou algo muito importante e valioso dia desses? Pois foi! Ele me ensinou que não se deve exibir comportamento socialmente aceitável, fiando-se no manto ilusório de anonimato oferecido pela multidão. Conto.
Semana passada. Estava caminhando pelo centro da cidade, comportando-me alegremente da forma mais inaceitável possível. Ninguém me conhecia, que se fodessem todos. Entrando na Praça Ramos de Azevedo, porém, levei um susto quando um sujeito de terno gritou:
— ÊÊÊ, DEDÃO NO NARIZ!
Era meu irmão, que estava voltando do almoço. Imaginem a minha cara.


1 Eu sou paulistano e falo "farol" mesmo. Não me interessa que nome o aparato tenha aí no seu exótico rincão.

7 Comments:

Blogger Jessica said...

Hahahahahahaha
Adorei o "Ornitorrincas adolescentes com suas vozes esganiçadas".... descrição perfeita cara, parabéns!!!
Coitadas, elas foram pegar logo o estresse em pessoa e ainda falaram da careca... hahahahaha
E ainda vão fazer rádio e TV... hahahahaha, coitadas mesmo!!

11:30 AM

 
Blogger Gabi said...

Você é quase parte do grupo delas.

12:55 PM

 
Blogger Cristiana Soares said...

Gente, foi horrível! Mas adorei esse blog!!!

10:58 AM

 
Blogger otário, o programador said...

Você não entendeu, o trote na verdade são essas bestas passarem 4 anos estudando nada para nada.

4:07 PM

 
Blogger neutron said...

Por essas e outras eu não fui no dia do trote.

E também não faço Rádio e TV. ;)

12:08 PM

 
Anonymous Relda said...

Bom, pois hoje eu queria escrever aqui.
Foi horrível esse acontecimento contigo, mas gente, foi horrível! o que me aconteceu hoje.
Saindo do meu chato trabalho (excel, internet, sinal de fax, excel, atende telefone, sinal de fax, sinal de fax, sinal de fax, excel, msn..) fui buscar minha irmã para almoçar. Janela aberta porque ninguém merece ar viciado do interior do carro (antes tivesse ligado o ar condicionado). Conto para irmã como foi minha manhã ("a mesma bosta de todo dia") e vamos indo para casa.
Chuvisca, o estacionamento tem altos buracos e o que acontece? Um carro me corta e respinga aquelas gotas nojentas de lama em mim! Pela janelona que eu sempre mantenho aberta...
Gente, foi horrível.
Tudo bem, não é o lugar certo para escrever. Mas eu precisa dizer.

9:36 AM

 
Blogger Tryck GT said...

heheheheehehehe
Marcão essa tua sutileza nas palavras me faz rachar de rir!
hehehehehehehe
Grande abraço!

ps.: no meu "rincão" falamos sinaleira! hehehehe

7:19 AM

 

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